“Em um país latino, a autonomia traz variações na qualidade dos professores, o que não é muito bom”, diz estudioso de Stanford
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Controle rigoroso do sistema de ensino por parte do Estado. Para o professor da Universidade de Stanford, Martin Carnoy, essa é a chave para alavancar a qualidade da educação. Embora seja comum na área educacional a ideia de dar aos professores liberdade para serem criativos em sala de aula, a regra funciona em um sistema onde os docentes são altamente treinados, o que não ocorre no Brasil.
“Em um país latino-americano, a autonomia vem acompanhada de variações na qualidade dos professores, o que não é muito bom, pois muitas vezes eles fazem o que querem”, diz Carnoy. O estudioso acredita que os professores devem ser preparados para serem ótimos docentes e que o Estado precisa capacitá-los antes de irem para a sala de aula: “Não se pode deixar que as universidades ditem regras sobre como preparar estes profissionais.”
Durante bate-papo ao UM BRASIL, Carnoy disse que adicionar bônus e incentivos ao salário do professor pode surtir efeito na produtividade. Mas lembra que, por exemplo, em Cuba, a realidade é outra: “As pessoas não escolhem suas profissões com base no sálario, mas sim pelo que gostam de fazer e são bons.” Há no Brasil uma grande discussão sobre uma base curricular comum.
Para ele, a medida é boa, porém de difícil monitoramento em relação ao cumprimento das normas. “Uma das variáveis mais importantes para determinar resultados de um aluno é saber quanto da base o professor ensinou. Priorizar essa prática é parte fundamental para obter os efeitos esperados.”
Segundo ele, houve progresso na educação brasileira. “Alguns estados estão atentos ao que acontece dentro das escolas e treinam profissionais para fazerem boas intervenções, como acontece no Ceará.” Carnoy também é economista e presta consultoria para organismos internacionais como Unesco, Banco Mundial e OCDE, e se especializou na análise comparativa de sistemas educacionais.
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