Brasil precisa de pensamento estratégico, por Hussein Kalout
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“No Brasil, padecemos de um pensamento estratégico de longo prazo”. A afirmação é do secretário especial da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo brasileiro, Hussein Kalout, ao UM BRASIL. A entrevista marca o lançamento de uma série realizada em Pequim durante o Brazil+China Challenge 2017, ocorrido nos dias 1º e 2 de setembro. São 12 produções que serão divulgadas todas as terças-feiras até o dia 19 de dezembro.
A equipe do UM BRASIL conversou com nomes como o sociólogo norte-americano Daniel Bell, o senador Cristovam Buarque, o economista Rodrigo Zeidan, o diplomata Marcos Troyjo e a especialista em Relações Internacionais Adriana Abdenur.
Nesta primeira entrevista, Kalout afirma que o Brasil vive crises cíclicas. “Quando fazemos uma regressão histórica e olhamos os problemas do Brasil de hoje, são exatamente os mesmos fenômenos do século passado. Nós ainda não conseguimos nos desprender disso”, observa.
Para ele, o brasileiro em geral é desprovido de uma cultura estratégica. “A Secretaria de Assuntos Estratégicos foi criada no início da década de 1990 e até os dias de hoje foi extinta e reaberta cerca de seis vezes”, exemplifica. “Ou ela nunca foi estratégica, ou no Brasil não se compreende qual é a função de uma área como essa para modular políticas públicas de longo prazo.”
Kalout explica que a Secretaria de Assuntos Estratégicos tem função de zelar por temas de soberania nacional: política externa, defesa e inteligência. “São áreas estruturais que transcendem qualquer governo e deveriam transpassar as dicotomias político-partidárias” afirma. Trata-se, portanto, de políticas de Estado, e não de um governo específico. “No entanto, desde a redemocratização, inteligência e defesa ficaram relegadas a segundo plano, como temas que não deveriam compor o arcabouço do entendimento estratégico do Estado.”
Quanto ao comércio exterior e à política externa, o secretário entende que o País ainda opera com parâmetros de 1990 – segundo Kalout, o Brasil é responsável por apenas 2% do comércio mundial. “É preciso separar os interesses de setores específicos que buscam expandir suas relações quanto ao mundo exterior da estratégia do Estado Brasileiro como um todo, que deve saber se localizar e defender os interesses nacionais em um tabuleiro muito mais amplo.”
“O Brasil tem vocação universalista nas relações internacionais”, defende o entrevistado. “Por seu tamanho e sua envergadura, o País está entre as dez maiores potências do mundo e, por isso, temos de nos comportar como uma das dez maiores potências do mundo”, afirma. “Essa é a razão pela qual não podemos subordinar nossos interesses a quem quer que seja.”
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