Brasil é o país mais racista do mundo
ENTREVISTADOS
MEDIAÇÃO
O país que possui a segunda maior população negra do mundo, somente atrás da Nigéria, deveria ter protagonistas negros nos desenhos animados, nas novelas, em cargos de liderança e na política, mas não é o que ocorre no Brasil. Em função disso, Alexandra Loras, mestre em Gestão de Mídia pela Sciences Po, diz que o “Brasil é o país mais racista do mundo”.
Em entrevista ao UM BRASIL, a ex-consulesa da França, que já visitou 50 países e viveu em oito, diz que o racismo no Brasil é mais forte do que em outras nações porque aqui o negro faz parte de uma maioria tratada como minoria. “Precisamos ver essa realidade, não só carnaval. Entrar em uma loja de brinquedos e ver que há só duas bonecas negras no meio de milhares de brinquedos, esse não é um racismo velado, é um racismo frontal, agressivo e institucional”, diz Alexandra.
“O branco de hoje não é responsável pelo que aconteceu durante a escravidão, mas somos todos responsáveis para reequilibrar o que vamos contar para nossas crianças hoje e amanhã”, completa. De acordo com Alexandra, uma maneira de tornar a diversidade da sociedade mais representativa é através do sistema de cotas, uma vez que esse processo pode ser acelerado. Sem as cotas, o País pode levar 200 anos para equilibrar a presença das etnias em sua sociedade.
“Hoje, precisamos mesmo entender que a diversidade é uma riqueza, e não uma tragédia. Talvez as cotas sejam a pior solução, mas, infelizmente, é a única solução. Se olharmos os Estados Unidos, em 30 anos de cotas reequilibraram a presença dos negros e tiveram um presidente negro e a mulher mais rica do país hoje é negra”, diz a ex-consulesa da França.
Para Alexandra, a discriminação que atinge as mulheres tem raízes semelhantes ao preconceito racial. A sociedade se acostuma a estereótipos e os perpetua, entre outros pontos, por meio da mídia. “É uma inferiorização subliminar através das novelas, dos desenhos animados, de toda a narrativa dentro dos brinquedos. Lá no início é onde precisamos olhar, na raiz. Meu filho, com quatro anos e meio, já está cheio de preconceitos, cheio de coisas de que ‘isso é para menino’, ‘isso é para menina’.”
Na entrevista, Alexandra também comenta por que escolheu viver no Brasil, a separação que os brasileiros fazem entre as culturas europeia e africana e o papel da mulher na sociedade.
ENTREVISTADOS
CONTEÚDOS RELACIONADOS
Internacional
Crise institucional leva ao surgimento de líderes autoritários ao redor do mundo
Germano de Almeida, analista de política internacional, reflete sobre os rumos de uma nova ordem global
ver em detalhes
Internacional
Formação política é fundamental para renovar a democracia
Na série ‘Diálogos Presidenciais’, Andrés Pastrana, ex-presidente da Colômbia, compartilha memórias e reflexões de quem já viveu o poder
ver em detalhes
Economia e Negócios
Os obstáculos e as possibilidades dos brasileiros em Portugal
Para Fernando Senise, sócio-executivo do escritório de advocacia Brasil Salomão, o país europeu é destino natural de quem procura a internacionalização
ver em detalhes