Mudanças climáticas e COP30: o Brasil no centro da agenda ambiental global
Cinco anos. Esse é o tempo que o Brasil tem para reposicionar sua política ambiental e cumprir as metas firmadas no Acordo de Paris, alcançando 2030 como protagonista em um mundo que enfrenta a maior crise climática da história. A realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, neste ano, coloca o País no centro do debate global — ampliando a responsabilidade de liderar, com exemplos concretos, a transição para uma economia de baixo carbono.
O livro ‘UM BRASIL #11 – Modernização do Estado’ destaca que as mudanças climáticas já deixaram de ser uma preocupação futura; agora, são uma realidade que impacta a economia, a segurança alimentar e a vida nas cidades. A publicação reúne os principais debates realizados ao longo de 2024 no Canal UM BRASIL, uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Segundo o Observatório do Clima, o Brasil lançou na atmosfera 2,3 bilhões de toneladas de Gases De Efeito Estufa (GEE) em 2022 — quase metade resultante do desmatamento. Apesar disso, o País reúne condições únicas para reverter o quadro. A sua matriz energética já é composta por quase 50% de fontes renováveis, contra pouco mais de 15% na média global, e vastas áreas degradadas poderiam ser recuperadas sem necessidade de ampliar fronteiras agrícolas.
Para Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima e entrevistado da coletânea, o desafio passa por transformar essas vantagens em política de Estado. Para atingir a neutralidade climática, ele defende a integração entre combate ao desmatamento e estímulo à economia da floresta viva — modelo que gera renda, protege a biodiversidade e reduz emissões.
“O Brasil pode ser carbono negativo antes de 2050, o que nos deixa em posição de solução climática extremamente privilegiada e única no mundo”
– Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima
Para o presidente do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP, José Goldemberg, os eventos climáticos extremos — como as enchentes no Rio Grande do Sul e os incêndios no Pantanal — mostram que o custo da inação já chegou. “A atmosfera mais quente é consequência direta do aumento de CO₂. O dilema é simples: ou investimos em medidas preventivas e de reabsorção de carbono, ou teremos de nos adaptar a um planeta cada vez mais hostil”, afirma.
Caminhos para a sustentabilidade
Dentre os caminhos apontados pelos especialistas para aliar avanços econômico e social com responsabilidade ambiental, um dos destaques é a bioeconomia.
“Estamos no processo de ressignificar a economia. Não enxergamos na bioeconomia apenas o desenvolvimento. Esse modelo se reflete na redução de desigualdades e na conservação da biodiversidade.”
– Carina Pimenta, secretária nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA)
A FecomercioSP propõe, ainda, uma agenda ambiental robusta, baseada em seis compromissos considerados inegociáveis: regular o mercado de carbono, acelerar a transição energética, estimular a economia circular, zerar as emissões por desmatamento ilegal, adotar padrões mais responsáveis de consumo de água e fortalecer o combate à poluição, aos incêndios florestais e ao desmate.

COP30: uma vitrine para o Brasil
O livro ressalta que a COP30, no coração da Amazônia, é mais do que uma conferência — será uma vitrine para que o Brasil reafirme seu papel de liderança na pauta ambiental mundial. Com uma matriz energética 49% renovável, o País detém uma das bases mais limpas do mundo e reúne condições para combinar inovação tecnológica, segurança jurídica e preservação ambiental como pilares de um novo modelo de desenvolvimento.
Modernizar o Estado brasileiro, portanto, também significa torná-lo verde, eficiente e resiliente, capaz de articular crescimento econômico com compromisso climático. A COP30 representa uma oportunidade histórica para que o Brasil mostre ao mundo que desenvolvimento e sustentabilidade podem e devem caminhar juntos.
Quer entender os desafios e caminhos para modernizar o Estado e construir uma economia verde? Baixe gratuitamente a publicação ‘UM BRASIL #11 – Modernização do Estado’.
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