Desenvolvimento no século 21 exige salto educacional
Se a educação foi peça-chave para que um país se desenvolvesse no século 20, isto se acentuou ainda mais na atualidade. Contudo, em um mundo dominado pela inovação constante, o modelo escolar advindo da Revolução Industrial pode estar defasado, de modo que, para alcançar as nações mais ricas, países em desenvolvimento como o Brasil precisam preparar os jovens para as profissões do futuro, reforçando a pesquisa e a capacidade de se adaptar incessantemente.
De acordo com o PhD em Ciência Política e diretor do programa MIT-Brazil, Ben Ross Schneider, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), a educação explica por que alguns países enriqueceram mais do que outros. “Os países que agora apresentam renda alta fizeram o salto quando tinham nível de educação menor do que os de renda média atualmente. Isso significa que, hoje, os países em desenvolvimento têm que avançar mais na parte de educação do que fizeram no século passado”, salienta.
O coordenador do programa de intercâmbio entre pesquisadores do MIT com universidades brasileiras comenta que, se o Brasil adotar uma postura mais aberta às relações internacionais, tende a beneficiar não só o comércio, mas também a ciência. “A abertura mais importante que eu vejo seria para tecnologia e pesquisa. Um país como o Brasil tem uma forte base de pesquisadores que poderia ser muito mais aproveitada com uma conexão à economia global”, afirma.
Para o professor da Escola de Educação de Harvard e fundador do Center For Curriculum Redesign, Charles Fadel, as escolas ainda não se adequaram às exigências da contemporaneidade, mantendo um modelo engessado de ensino em um período no qual as inovações ocorrem em uma velocidade nunca antes vista.
“Ensinamos matérias e assuntos que pertencem aos séculos 19 e 20, enquanto que, neste século, deveríamos ensinar, por exemplo, tecnologia, engenharia, ciências sociais, como psicologia, sociologia e antropologia. O que é ensinado é parcialmente relevante. Precisamos nos guiar pelas oportunidades, e não pela oferta de empregos de hoje, pois não sabemos onde eles estarão no futuro”, esclarece.
Fadel considera, no entanto, que a baixa qualidade da educação pública não deve ser integralmente culpada por um país não se desenvolver ou por resultados aquém do almejado em exames internacionais. Segundo ele, não se pode negligenciar a influência de diversas questões sociais.
“O problema não pode ser somente direcionado à educação. Para ser justo, há muitos problemas sociais que precisam ser resolvidos”, pondera. “É preciso lembrar que a educação é parte do problema, não o problema inteiro. Toda vez que pensamos nessas coisas, temos que aceitar que há outras soluções que podem ser políticas e sociais, e não pôr todo o peso nas costas da educação”, completa.
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