Agenda climática movimenta a economia e é oportunidade de negócio
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Em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) —, a economista e cientista política Júlia Sekula ensina a desconstruir o senso comum e enxergar a agenda climática como uma oportunidade de movimentar a economia e fazer negócios.
Para a cofundadora da Terradot, uma iniciativa global cuja missão é estabilizar o clima do planeta, a questão do clima pode ser aproveitada por Pequenas e Médias Empresas (PMEs) para alavancar a eficiência e a produtividade.
O clima nas empresas
- Oportunidade de negócio. A economista discute, primeiro, a importância de quebrar preconceitos em torno da agenda climática. “Todo mundo fala: ‘Nossa, mas clima não é uma pauta só de filantropia? Uma pauta da esquerda? De abraçar árvore e proteger a Amazônia?’ Clima não é só proteger a Amazônia ou fazer reciclagem. Ainda não caiu a ficha de que é uma oportunidade de negócio”, observa Júlia.
- Agenda transversal. O clima é como uma “lente” que ajuda o empreendedor a olhar qualquer área ou setor sob outra perspectiva, explica a economista. “Isso quer dizer que tudo o que você faz, poderia fazer de outra forma. A Inteligência Artificial (IA) é a mesma coisa. Não é um setor, mas uma lente que você pode aplicar a tudo”, argumenta.
- Três caminhos para crescer. Eficiência energética, melhor uso de resíduos e eficiência de logística — juntos, formam o tripé do fator “clima” nas empresas. “Essas são três oportunidades que qualquer negócio tem na pauta climática”, explica. De acordo com a economista, entender como é possível ser mais eficiente nessas três frentes pode ser um caminho para alavancar a margem de qualquer empresa. “A eficiência tem um impacto climático, e um impacto econômico bem relevante”, completa Júlia.
Brasil, protagonista mundial
- Líder em clima. Ao UM BRASIL, Júlia também discorre sobre o papel do País na agenda climática global. Na sua opinião, o Brasil é um dos poucos lugares no mundo que conta com todas as vantagens competitivas quando o assunto é clima e meio ambiente. Por isso, tem o potencial de ser um protagonista nessa pauta.
- Nós temos tudo. “Você fala de transição energética; nossa matriz é limpa. Você fala de soluções baseadas na natureza; nós temos a Amazônia. Você fala sobre a intersecção de segurança alimentar com segurança climática; temos o Agro. Além disso, temos minerais críticos”, elenca. E, com o vácuo deixado pelos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump, que abandonou a pauta, Júlia acredita que o Brasil tem uma capacidade ainda maior de liderar o mundo nessas questões.
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