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Economia e Negócios

Transição energética pode levar décadas e deve ser financiada com a renda do petróleo

Publicado em: 28 de novembro de 2025

ENTREVISTADOS

EM POUCAS PALAVRAS...

O que você vai encontrar nesta entrevista?

  • Rodrigo Tavares, professor catedrático convidado na Nova School of Business and Economics, em Portugal, defende mudanças na política de financiamento da transição energética no Brasil.
  • Para o acadêmico, o Brasil deve criar condições para que as receitas do petróleo financiem a era pós-petróleo. Ou seja, a descarbonização. " O País pode ser campeão nas duas áreas — na exploração do petróleo e na transição energética", opina.
  • Mas alcançar a transição e criar uma economia sustentável é um projeto de longo prazo, adverte. “Se nós levamos 40 ou 50 anos para criar uma economia fóssil, carbonizada, também pode levar 40 ou 50 anos para criarmos uma economia totalmente descarbonizada”, diz.

“Não é possível o Brasil ser ufanista e dizer que é um ‘campeão ecológico’ em eventos internacionais sobre o meio ambiente e esquecer-se que é o oitavo maior produtor de petróleo do mundo — a caminho de ser o quarto.” A opinião é de Rodrigo Tavares, professor catedrático convidado na Nova School of Business and Economics, em Portugal.

Em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) —, Tavares defende mudanças na política de financiamento da transição energética. 

“É fundamental que o Brasil crie condições para que as receitas do petróleo financiem a descarbonização. O País pode ser campeão nas duas áreas — na exploração do petróleo e na transição energética. A contradição não seria essa. A contradição seria não aproveitar as receitas do petróleo para financiar o ‘pós-petróleo’.”, explica. 

Transição pode levar décadas 

  • Pragmatismo. Tavares destaca a importância de um olhar mais pragmático à transição global para uma economia sustentável. Na sua opinião, reduzir as emissões não se trata de uma decisão política ou burocrática, mas uma necessidade, uma questão de sobrevivência econômica e civilizacional. “O Banco Mundial, o FMI e várias outras entidades internacionais têm indicado que o impacto negativo dos riscos climáticos extremos pode chegar a US$ 300 bilhões por ano”, explica. 
  • Longo prazo. De acordo com o acadêmico, alcançar a transição e criar uma economia sustentável é um projeto de longo prazo que exige ajustes contínuos, injeção de incentivos específicos e prioridade a políticas concretas. “Se nós levamos 40 ou 50 anos para criar uma economia fóssil, carbonizada, também pode levar 40 ou 50 anos para criarmos uma economia totalmente descarbonizada”, acredita. 

Minerais críticos são oportunidades 

  • Novo caminho. Historicamente, a experiência do Brasil com suas riquezas minerais é marcada pela exportação das commodities. Para Tavares, o País deveria optar por outro caminho ao tratar das terras raras e de outros minerais críticos. Esses recursos, disponíveis em grande quantidade no Brasil, são alvo de interesses internacionais. Mas, de acordo com o acadêmico, não há nada que deva motivar que essa tendência histórica brasileira — que marcou o País por 500 anos — aconteça outra vez.
  • Os minerais da transição. “O Brasil tem grafite, tem nióbio, tem níquel. Tem vários outros minerais que são absolutamente essenciais para a transição energética. E deveria fazer verticalizar a cadeia de produção, o ecossistema de produção de terras raras e de minerais críticos, de uma ponta à outra”, afirma. 

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