Produtividade no Brasil precisa estar no centro das discussões
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EM POUCAS PALAVRAS...
O que você vai encontrar nesta entrevista?
- O economista Bruno Funchal defende que a agenda da produtividade é fundamental para o desenvolvimento econômico sustentável do País.
- Funchal cita o exemplo da Coreia do Sul, país que se destaca por acelerar a eficiência e a produtividade mediante o desenvolvimento de capital humano.
- A produtividade de uma nação é pautada, em geral, por ações que tenham um prazo longo de maturação. Por essa razão, os ciclos políticos são um impasse, já que atrapalham o planejamento a longo prazo, defende o economista.
- Funchal acredita que o uso da Inteligência Artificial (IA) e de modelos de governança digital podem aumentar a produtividade do setor público.
O problema fiscal é uma pauta que, muitas vezes, “rouba” a atenção de outras variantes importantes para o desenvolvimento econômico sustentável do País. É o que defende Bruno Funchal, economista, professor, ex-secretário do Tesouro Nacional e CEO da Bradesco Asset Management.
“É claro que o fiscal é um problema. Mas o que vai gerar riqueza, e vai permitir mobilidade social da população, não é debatido com profundidade”, afirma, em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Funchal se refere à questão da produtividade no Brasil. “Vários estudos já abordaram esse problema. Acho que a primeira coisa a ser feita é voltar a botar a produtividade na pauta”, defende.
O exemplo sul-coreano
- Alavanca para o crescimento. Funchal observa que, em diversos países com evolução de crescimento acelerado, existe prioridade no investimento em pessoas, capital físico, máquinas, equipamentos, estradas, entre outros — e em formas produzir com mais eficiência. “É o que a gente chama de produtividade. Fazer mais com menos, ou produzir mais com a mesma quantidade de recursos”, explica.
- Caminhos da produtividade. “O que poderia fazer uma economia produzir mais? Pessoas mais bem treinadas. Ou uma máquina tecnológica. Ou um modelo tributário mais simples em que eu gasto menos recursos para poder produzir, em vez de ficar pagando imposto”, elenca.
- O papel da educação. O economista cita o exemplo da Coreia do Sul, país que se destaca por acelerar a eficiência e a produtividade mediante o desenvolvimento de capital humano. “A Coreia traz na sua história, desde as décadas de 1970 e 1980, uma aceleração muito grande na educação”, observa.
Desafios da produtividade no País
- Efeitos dos ciclos políticos. A produtividade de uma nação é pautada, em geral, por ações que tenham um prazo longo de maturação. Por essa razão, os ciclos políticos — organizados pelas eleições — se mostram um impasse, já que atrapalham o planejamento a longo prazo. “Inicia-se um governo olhando quatro anos e, à medida que vai chegando perto da eleição, vai diminuindo o incentivo para olhar o longo prazo. O ciclo político dificulta a execução dessa agenda”, resume.
- Outras prioridades. Na opinião do economista, essa lógica não contribui para o planejamento e, consequentemente, o crescimento da produtividade no Brasil. “A governança deveria trazer um olhar para educação, para a infraestrutura, e não só inaugurar algumas coisas sem uma lógica que, de fato, melhore a produtividade”, conclui.
- O papel da tecnologia. O uso da Inteligência Artificial (IA) e de modelos de governança digital pode aumentar a produtividade do setor público. O economista cita, como exemplo, os avanços experimentados com a plataforma Gov.br, que instaurou um sistema integrado de digitalização de serviços públicos em municípios de todo o Brasil. “Na Reforma Administrativa [cujo projeto de lei tramita no Congresso], acho que a questão da IA, das tecnologias, merece um capítulo à parte”, conclui.
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