“Temos jovens fazendo atuação política eficiente e produtiva para o País”, diz José Eduardo Faria
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O Brasil vive um momento de transformações no qual o modelo de política estatal não é mais visto como único e mais importante pelos novos agentes de ação da sociedade, especialmente os jovens. É o que diz o professor titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), José Eduardo Faria, para quem a ideia de política centralizada em torno de um Estado entrou em processo de “corrosão moral”.
Para ele, a política que oferece resultados está sendo encontrada na sociedade civil. “Antes os meus alunos interessados em política iam para a atividade parlamentar. Nos últimos 15 anos, esses jovens querem atuar em organizações não governamentais, coletivos ou organismos multilaterais”, exemplificou o professor, em entrevista ao UM BRASIL.
De acordo com Faria, desde os anos 1990 há um processo de reforma administrativa que liberou para a sociedade funções que eram do Estado. Por trás dessa dinâmica, há a globalização da economia e uma modernização na qual o poder Legislativo não tem o mesmo peso.“Estamos acostumados a confundir a política com política que gira em torno de um Estado”, diz o professor. Ele afirma que estamos em uma fase de entendimento de que a política não se resume a ganhar um mandato eletivo ou à realização de eleições. “Temos jovens fazendo atuação política eficiente e produtiva para o País.”
A transformação e renovação desses processos, na opinião do especialista, é claramente observada na operação Lava Jato, com advogados mais jovens atuando, quando comparada ao Mensalão, no qual havia profissionais mais velhos e com mais dificuldade de entender esse momento. Para ele, a renovação é expressiva e mostra que estamos em uma sociedade mais complexa que tem sido compreendida pelos mais jovens.
“Eles têm percepção mais sistemática do processo que vivemos.” Nessa sociedade mais complexa e mais atenta, na qual os movimentos sociais são melhor estruturados, Faria afirma que os gargalos do País mostram a necessidade de se estudar o que ele chama de uma nova engenharia institucional, com o experimentalismo democrático, maturação política e a melhora da classe política.
José Eduardo Faria acredita que isso se dará com as reformas políticas e partidárias, as quais permitirão a identificação de novas lideranças. “A sociedade brasileira caminha para discutir mais conscientemente certas questões”, conclui o professor, que diz não ter dúvidas de que o Brasil está muito melhor do que no passado.
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