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Sergio Moro e Paulo Galvão discutem o sucesso da Lava Jato

DEBATEDORES | Sergio Moro Paulo Roberto Galvão

A Operação Lava Jato, investigação da Polícia Federal que apura esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, deve fortalecer a democracia brasileira, mas não conseguirá acabar de vez com a corrupção que se espalhou pelo ambiente político do País. É o que argumentam o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba e responsável pela investigação, e Paulo Roberto Galvão, um dos procuradores federais que atuam na Lava Jato, em entrevista ao UM BRASIL e à Revista Problemas Brasileiros, ambos projetos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Para Moro, o sucesso da operação passa pelo apoio da população brasileira, uma vez que as investigações envolvem políticos e grandes empresários. “Evidentemente que o juiz, ao julgar qualquer caso, vai considerar a prova e não deve considerar a opinião pública, porque tem que absolver mesmo diante da vontade contrária da opinião pública. Mas a opinião pública, nesses casos, envolvendo poderosos acusados, é importante para prevenir qualquer tentativa de obstrução da Justiça. Então esse suporte majoritário da população brasileira, quase integral, tem sido um diferencial”, afirma Moro.

O juiz diz que não vê problema nas críticas que recebe de parte da população em relação à maneira que conduz o caso. Para ele, isso se deve à má informação e à tentativa de partidarizar as investigações. “Acho que toda atuação de qualquer autoridade pública está sujeita à crítica. Então sempre haverá pessoas insatisfeitas, mas muitas vezes isso é resultado de má informação. Também se divulga muita afirmação falsa sobre o caso e muitas vezes se tenta colocar cores partidárias, por isso, infelizmente, algumas pessoas são convencidas a esse respeito. Mas não que elas não sejam favoráveis à democracia e ao Estado de Direito, mas [a meu ver] produto de informações equivocadas”, explica.

De acordo com o procurador federal Paulo Galvão, embora parte da sociedade brasileira acredite que a Lava Jato é um marco na história do País e que, a partir dela, a corrupção estará com os dias contados, a força-tarefa sabe que a investigação é apenas uma e que outros esquemas seguem em atuação.

“Temos a consciência de que a Lava Jato até chegou a um ponto que já está consolidada e não vai retroagir, mas ela por si só não vai mudar esse cenário de corrupção no País, porque ela tem um âmbito limitado, ela vai pegar um caso de corrupção, um grande caso com várias ramificações, mas é apenas um caso e sabemos que existe corrupção em outras esferas, em outros locais”, diz Galvão. Sobre se é possível prever um fim da operação, o procurador diz que, enquanto surgirem provas, a investigação terá de continuar.

“Não é possível colocar uma data para o fim da operação. Sempre que olhamos o cenário atual, vemos que a operação continua se expandindo e sempre imaginamos que daqui a seis meses vai estar mais calmo. Só que tenho imaginado isso há dois anos e não aconteceu ainda. Por quê? Porque não escolhemos o que vamos investigar. Investigamos quando surgem provas, e cada vez que surgem mais provas, temos até um dever funcional de continuar a investigação”, afirma o procurador federal.

As entrevistas aconteceram durante o seminário “Institution-Building, Governance and Compliance in Brazil: Politics, Policy and Business”, promovido pela Universidade Columbia, em Nova York. A edição de abril/maio da Revista Problemas Brasileiros traz um balanço da Operação Lava Jato e as entrevistas completas.

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