“Nas cidades, inclusão necessita de política planejada”, diz professor da Universidade Columbia
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Responsável por elaborar o plano de sustentabilidade da cidade de Nova York, nos Estados Unidos, Rohit T. “Rit” Aggarwala, professor da Universidade Columbia, acredita que criar um ambiente capaz de fomentar a prosperidade e a inclusão nas cidades é possível com base em uma política planejada. Para o especialista, cidades são organizações humanas e, por isso, devem funcionar para o maior número de pessoas.
“É preciso investir no sistema de trânsito, fazer a energia ser mais eficiente e pensar nos impactos das mudanças climáticas e nas qualidades ambiental e do ar.” Ao se pensar no futuro de uma cidade, alguns pontos são fundamentais, como conhecer, de maneira rigorosa, a situação atual do município. “Muitas gestões não possuem dados atualizados sobre suas populações. É preciso entender o que faz uma cidade ser diferente. Para realizar bons projetos, compreender essa personalidade local é primordial.”
Muitos municípios brasileiros estão diminuindo de tamanho, especialmente porque faltam oportunidades para os jovens, que migram para outros lugares. “Vemos em Nova York e em diversas cidades pelo mundo que o transporte normalmente é mais acessível em bairros mais ricos. Temos de fazer um esforço conjunto para melhorar as linhas em bairros de baixa renda. Outro fator é o acesso à tecnologia. Se há pessoas de baixa renda que não têm acesso a smartphones ou internet, elas estarão em desvantagem.”
Para que uma cidade atinja esse pensamento inteligente, é preciso uma boa administração. “É o prefeito que define o que acontece dentro do governo. Ele precisa encorajar sua equipe para pensar em política e estratégia ao mesmo tempo. Além disso, deve ser ambicioso, estar aberto a novas ideias e ter boa percepção do que é prioridade.”
Rohit diz que o sistema de transporte desenvolvido no Rio de Janeiro é um modelo que deveria ser seguido por muitas cidades no mundo. “O mais admirável é que o trânsito se desenvolveu. Uma das coisas mais críticas que vemos em termos de economia e de meio ambiente é essa perda de tempo nos trajetos de casa até o trabalho, e vice-versa.”
Similar a isso, o que São Paulo vem tentando fazer para diminuir a dependência dos carros, como estimular o uso de bicicletas, também é essencial. “Incentivar ações como essas é um dos desafios fundamentais do Brasil, pela emissão de carbono, pela qualidade de vida ou pela produtividade das áreas urbanas.”
Durante a entrevista, o professor também falou sobre a imigração internacional, que aumentou consideravelmente nos anos de 1980, em especial nos Estados Unidos e na Europa. “A imigração é algo maravilhoso para as cidades, pois muda nossa economia para melhor. Eles trazem diversidade, restaurantes de comidas típicas, arte e todo o cenário criativo. Nova York é mais rica por isso, e Londres também”, conta.
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