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Está na hora de olhar para o Oriente, dizem alunos da Renmin University of China

DEBATEDORES | Otávio Miranda Eduardo Cavaliere

“Está na hora de olhar para o Oriente. Não para replicar o Oriente, mas para entender por que eles deram certo, qual o modelo de desenvolvimento que fez que aquilo se tornasse o maior caso de sucesso de países em desenvolvimento do mundo”, afirma o estudante de Política Internacional e Economia Política da Renmin University of China, Otávio Costa Miranda.

Ao lado do estudante de Direito e Matemática Aplicada da FGV e da Renmin University of China, Eduardo Cavaliere, ele conversa com o UM BRASIL sobre o desenvolvimento das economias orientais, a necessidade de atrair pesquisadores brasileiros para estudar o tema e as relações de comércio exterior entre Brasil e o país asiático. Os jovens são cofundadores da BRASA Ásia e do Brazil+China Challange 2017.

A entrevista faz parte de uma série realizada em Pequim durante o evento, ocorrido nos dias 1º e 2 de setembro. São 12 produções que serão divulgadas todas as terças-feiras até o dia 19 de dezembro. A equipe do UM BRASIL conversou com nomes como o sociólogo norte-americano Daniel Bell, o senador Cristovam Buarque, o diplomata Marcos Troyjo e a especialista em Relações Internacionais Adriana Abdenur.

“O arranjo institucional Brasil-China é no mínimo interessante, porque o Brasil hoje vivencia uma situação em que é superavitário em relação à China e às suas relações comerciais, mas nosso país se primarizou ao longo do tempo”, observa Miranda. Ele comenta que, enquanto na década de 1970 a indústria brasileira exportava automóveis, em 2017 a pauta agrícola é muito forte nas exportações.

“Mesmo considerando que cada grão de soja tenha um porcentual enorme do esforço científico dos nossos engenheiros agrônomos, o Brasil não consegue se desamarrar da dependência da exportação de commodities para a China”, observa Miranda. Para o estudante, levando em conta que metade do que o Brasil exporta para a China hoje é soja e os outros 50% estão divididos entre poucos produtos também primários, é possível constatar uma vulnerabilidade por parte das duas economias.

“A China hoje tem uma situação de dependência estratégica em relação ao Brasil, pelo tipo dos produtos que compra”, destaca. Ele baseia essa afirmação no fato de que a China é a maior compradora de um único produto das exportações brasileiras, a soja, sendo esta um dos pilares principais da nossa economia. “O Brasil também está numa situação de vulnerabilidade pelo seu superávit. Isso muda em grande escala o que o País tem como poder de barganha em relação à China.” “A ausência de uma estratégia pontual e específica para a China nos traz um grande desafio institucional”, explica Miranda.

Eduardo Cavaliere também observa que os chineses sabem exatamente o que querem ganhar com o Brasil. “Do outro lado, o arranjo brasileiro dificulta o planejamento e uma postura mais ativa. Os canais do lado nacional são concentrados e muito específicos”, afirma. Do ponto de vista institucional, segundo ele, o governo não consegue se planejar de maneira que seja possível compreender como seremos beneficiados. “Essa preparação estratégica em unidade em relação à China é o que falta no Brasil hoje”, ressalta Cavaliere.

O estudante explica que os chineses apostam muito no personalismo. Enquanto isso, do lado brasileiro, boa parte das pessoas que lideram a relação entre Brasil e China acabam construindo uma mística do que é a pauta chinesa, como se esta só fosse acessível para especialistas. “O que a gente fez em nosso projeto é fatiar isso e falar de cada uma das agendas. Cidades inteligentes, por exemplo. Fazem diferença? Onde ficam? Vai ser relevante dentro de sua proporção, mas não é preciso ser especialista para discutir o tema.”

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