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Educação política é instrumento fundamental à transformação, diz Humberto Dantas

DEBATEDORES | Humberto Dantas

Desde 2013 o Brasil tem vivido momentos de clamor da população por mudanças políticas e sociais. De maneira geral, os debates aumentaram. O que dizer, porém, da qualidade do discurso político dos brasileiros?

Para o cientista político Humberto Dantas, o debate ainda é incipiente e a transformação da qual o Brasil precisa depende da promoção da educação política. Dantas traçou um panorama do Brasil desde a ditadura, questionando o silêncio dos cidadãos brasileiros que, no início dos anos 1980, lutaram pelas eleições presidenciais diretas, e dos milhares que assinaram as emendas ao anteprojeto da constituinte.

“Hoje vemos um desgaste, um desânimo com a política. Essa é a crise da democracia representativa”, disse. Para o cientista político, as respostas que o povo procura só serão possíveis com eleitores esclarecidos e, embora nos últimos dez anos tenha havido maior abordagem de assuntos relacionados em sala de aula, isso ainda não é uma realidade.

“Precisamos de formação cidadã. É inadmissível que alunos saiam do Ensino Médio sem noção de meio ambiente, saúde, economia e política”, enfatizou. Mas levar essas informações tão necessárias às escolas não é o único desafio. Dantas ressalta que os educadores devem trabalhar as questões sem interferências de posições pessoais, criando um cenário que permita ao aluno chegar às suas conclusões sobre o funcionamento do País e seus governantes e legisladores: “precisamos cercar essa educação de cuidados.”

O cientista político lamenta que grande parcela da população ainda desconheça as funções de cada cargo político. Paralelo a essas lacunas na formação dos cidadãos, acontece o que Dantas chama de jogo político, sem a devida participação do povo.

“Há uma incapacidade de quem vive isolado na bolha do mundo político, cercado por assessores, de efetivamente olhar para aquilo que ocorre na sociedade”, argumentou o cientista político, que mencionou também “amarras institucionais” como outra questão que impede que os problemas sejam efetivamente enfrentados.

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