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Capitalismo de compadrio está se espalhando pelo mundo

DEBATEDORES | Randall Holcombe

Familiar para os brasileiros, o capitalismo de compadrio – modelo em que as elites política e econômica de um país conspiram mutuamente para se favorecerem em detrimento da prosperidade da nação – está avançando em todo o mundo. Quem diz isso é o próprio criador do termo, o PhD em Economia e professor da Universidade Estadual da Flórida Randall Holcombe.

Em entrevista ao UM BRASIL, realizada em parceria com o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (CMLE), Holcombe cita Estados Unidos e Europa como exemplos e salienta que o “Brasil não é o único nesse aspecto”.

Para ele, os laços entre políticos e empresários são criados e enrijecidos com base nas regras do sistema de representação.

“Parte disso é porque nós temos [nos Estados Unidos] um sistema político estável, e, com o passar do tempo, os interesses especiais foram se tornando cada vez mais ligados às pessoas no governo. Assim, considero a data-limite de mandato para os políticos eleitos como um bom mecanismo para controlar um pouco o capitalismo de compadrio”, comenta Holcombe. “O presidente só pode ficar no poder por oito anos nos Estados Unidos. No Congresso, porém, não há limite de tempo. Então, criam-se relacionamentos de longo prazo entre lobistas e representantes eleitos”, complementa.

O professor ressalta que tanto os adeptos de políticas de esquerda quanto os de direita são contra o capitalismo de compadrio. Contudo, as correntes não se entendem quanto à forma de combater o sistema.

“Na esquerda, as pessoas dizem que o governo deveria ter um maior controle sobre a economia, que o governo precisa intervir, que precisamos de mais regulamentações. Na direita, as pessoas dizem que o governo não é a solução, que o governo é o problema. Se eu estou certo sobre a forma como o sistema funciona, que as elites políticas e econômicas conspiram juntas, há um grande problema ao se pedir para que o governo interfira e faça alguma coisa”, opina.

Holcombe defende o caminho por menos governo argumentando que, ao dar mais poder ao Estado, automaticamente a elite econômica ganha mais poder na política, fortalecendo os laços viciosos. Desse modo, diz que o papel do governo na economia deve se limitar a providenciar um ambiente em que as empresas possam competir em igualdade de condições, sem subsídios ou proteção, e que prevaleçam o Estado de direito e o livre-comércio.

“Você pensa: ‘Como posso prosperar na economia?’. Uma forma seria se o governo fosse receptivo. Você pode fazer com que o governo crie barreiras comerciais, para que você se proteja da concorrência internacional. Você pode fazer com que o governo crie barreiras regulatórias para impedir que outras pessoas entrem e compitam com você em mercados internos. A verdade lamentável é que, quando você olha as atividades comerciais interagindo com o governo, as empresas quase nunca o procuram para dizer ‘nós queremos mercados mais livres, queremos o livre-comércio’. O que eles pedem para o governo é ‘nós também queremos esses benefícios de interesses especiais’”, destaca o professor de Economia.

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