Sem líderes comprometidos, não há empresas exemplares
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Empresas exemplares, com boas práticas de governança, são construídas sob a condição de que diretores e líderes empresariais deem o exemplo, de modo que os funcionários se sintam estimulados a adotar comportamentos condizentes com os propostos pelo alto escalão. Do contrário, as frases que resumem a cultura do negócio não passam de sentenças vazias. É o que diz Max Gehringer, escritor, palestrante, administrador de empresas e referência em gestão empresarial.
Em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Gehringer sintetiza a cultura da empresa como “a maneira que as pessoas interagem, enxergam e fazem o negócio evoluir”. No entanto, aponta que os principais responsáveis por isso são os profissionais que integram o corpo diretivo.
“Para mim, a cultura é sempre algo que tem de vir de cima para baixo. Não existe cultura por escrito. Pode escrever a frase mais bonita, mas, se o comportamento da direção da empresa não for aquele que está na frase, todo mundo vai perceber que é enganosa”, afirma o especialista. “Portanto, não vou ter o tipo de comportamento que os donos esperariam que eu tivesse”, acrescenta.
Além disso, Gehringer ressalta que, em tempos em que os consumidores cobram das empresas o compromisso com questões sociais e ambientais, a gestão precisa, em primeiro lugar, convencer o corpo funcional de que atua com estas intenções.
“Prefiro não escrever nada sobre a cultura da empresa, desde que eu tenha um corpo diretivo que aja da maneira que gostaria que a empresa inteira imitasse e desse todos os exemplos possíveis, os bons exemplos, para que o pessoal veja que realmente está fazendo aquilo”, salienta o escritor.
Sobre o perfil de liderança, Gehringer, também conhecido por colaborar com diversos veículos jornalísticos em pautas ligadas à carreira e gestão empresarial, afirma que “o líder é quem aglutina um grupo em torno de um objetivo”.
Contudo, faz ponderações no que diz respeito à atividade de gerenciar. “[Que] saiba ser líder na hora certa e saiba obedecer, porque a melhor maneira de aprender a mandar é, antes, aprender a obedecer”, pontua.
Ademais, às empresas refratárias às ideias de governança corporativa, o especialista destaca que o tema ganhou força justamente em razão de comportamentos ilícitos praticados por alguns negócios.
“A governança começou a ser adotada porque sempre existiram leis que proibiam fazer coisas erradas, mas o pessoal fazia coisas erradas”, explica Gehringer. “Algumas empresas monstruosas quebraram e deram prejuízo a investidores. E, aí, criou-se a governança corporativa: aqui, tem-se um livro de regras para se fazer tudo certo”, complementa.
Assista à entrevista na íntegra e se inscreva no Canal UM BRASIL!
Foto: Paulo Pinto
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