Nossa civilização é a menos preparada para lidar com uma pandemia
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“Nossa civilização é a menos preparada para lidar com um episódio como a pandemia de covid-19. Tecnicamente, do ponto de vista médico, estamos mais preparados, mas não estamos acostumados a viver o risco – o que escapa ao nosso controle – pelo fato de que estamos acostumados à segurança”, Essa opinião é do filósofo e professor, Luiz Felipe Pondé em entrevista ao UM BRASIL – uma realização da FecomercioSP.
A covid-19 coloca em evidência o sentimento de medo na população na mesma intensidade em que ocorrem os debates acerca da saúde pública e da economia. Pondé diz ser difícil resistir ao medo, tanto em regimes totalitários violentos quanto em períodos de epidemias, e alerta que visões extremistas são imprudentes na busca para a melhor solução.
“Acredito que existem pessoas paralisadas pelo medo, que acham que a epidemia vai passar antes da descoberta de uma vacina se todos ficarem trancados em casa. Naturalmente, a epidemia só arrefece quando um número significativo de pessoas cria anticorpos, o que é chamado tecnicamente de imunidade de rebanho. Isso cobra um preço alto dependendo da letalidade da epidemia. Temos uma incapacidade de entender que não importa o que a gente fizer, muitos morrerão. Hoje existe uma espécie de alarmismo absoluto que no Brasil assumiu uma polarização política. Acho que o debate epidemiológico, se não for regrado com certo cuidado, pode virar uma alienação completa da realidade”, diz ele.
No caso específico do Brasil, acredita ser impossível seguir o mesmo direcionamento de países da Europa, assim como da África pobre. Para o filósofo, o País não é completamente miserável e, ao mesmo tempo, não conta com uma consolidada ciência epidemiológica de tratamento da crise sanitária dentro de moldes razoavelmente seguros, como os países da Europa. “Essa condição híbrida parece hoje o problema capital da gestão pública. Esse vírus é cego e, na estupidez dele, é igualitário porque ataca qualquer um sem diferença de credo ou raça, porém, ele não é equânime porque epidemias seguem contornos socioeconômicos”, analisa Pondé.
Outro risco apontado pelo entrevistado é agravado pela tecnologia, que atualmente permite na China o rastreio de pessoas próximas infectadas com o novo coronavírus. “Momentos epidemiológicos são momentos de estressamento de liberdades individuais e, com a tecnologia, já em uso na China e com potencial para ser implantada no Ocidente, podemos entrar num ambiente onde as pessoas queiram ser monitoradas, inclusive para se sentirem mais seguras com relação à própria saúde”, conclui ele.
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