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Política

Democracia brasileira falha na sua dimensão social

Publicado em: 20 de março de 2026

ENTREVISTADOS

EM POUCAS PALAVRAS...

O que você vai encontrar nesta entrevista?

  • O professor da UFPR, Adriano Codato, defende que o problema da população com a ideia da democracia tem a ver com a percepção de que, no Brasil, ela não cumpre com suas entregas sociais.
  • “Os brasileiros valorizam muito mais as entregas sociais de uma democracia do que propriamente as liberdades civis”, observa Codato.
  • Na visão do professor, quando se fala em medir a qualidade das democracias, não se pode deixar de fora a influência dos parlamentares.
  • “Mas nem sempre o político mais famoso, mais entrevistado, mais polêmico, que tem mais seguidores no Instagram, é quem tem poder dentro da Câmara”, pontua.

Os brasileiros não rejeitam a democracia ou preferem o autoritarismo. O problema da população com a ideia da democracia tem a ver com a percepção de que, no Brasil, ela não cumpre com suas entregas sociais. 

A avaliação é de Adriano Codato, professor na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do Representação e Legitimidade Democrática (ReDem), um projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), que procura analisar as causas e as consequências da crise da democracia no Brasil. 

Em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) —, Codato também elenca os motivos pelos quais o País é um “capítulo à parte” na crise da democracia mundial. 

A democracia brasileira 

  • Déficit social. O professor avalia que a população tem a sensação geral de que vivemos sem a dimensão social da democracia. Na opinião de Codato, as pessoas identificam na democracia brasileira um grande déficit, porque ela não entrega serviços sociais e políticas públicas. “Aqui no Brasil, as pessoas valorizam muito mais as entregas sociais de uma democracia do que propriamente as liberdades civis”, observa. 
  • Problemas à brasileira. Quando Codato diz que o País é um capítulo à parte na crise da democracia mundial, ele faz referência a problemas específicos da forma como o sistema político é organizado por aqui. “A polarização afetiva, a crise de credibilidade da classe política, o problema das fake news, isso é comum às democracias. No Brasil, nós temos problemas de coordenação política”, pondera.
  • Só tem no Brasil. O especialista cita algumas especificidades que tornam tão complexa a vida política no País, como o federalismo robusto, o alto número de partidos políticos, o presidencialismo de coalizão, um Executivo que perdeu parte do seu poder de pautar agendas, somado a um Congresso com muito poder orçamentário. “A junção das características mais estruturais da crise mundial com as nossas características institucionais, realmente dá um ‘colorido especial’ à crise brasileira”, ressalta  Codato. 

Como medir a democracia?

  • Variável esquecida. De acordo com Codato, há pelo mundo diversos institutos que demonstram o quão democrático é um país. Esses institutos medem facetas da democracia, envolvendo centenas de variáveis. “Só que não tem uma variável que é muito importante pra gente, aqui no Brasil, que é a qualidade do representante”, destaca. 
  • Qualidade das elites políticas. “Você pode medir a qualidade das instituições da democracia — se há respeito à lei, equilíbrio entre os poderes, liberdade de imprensa, liberdade de oposição, se quem ganha a eleição leva a eleição. Mas está fora desses institutos a dimensão que mostraria se as elites políticas são boas ou não”, explica Codato. 
  • Grau de influência. Na visão do professor, quando se fala em medir a qualidade das democracias, não se pode deixar de fora a influência dos parlamentares. “Mas nem sempre o político mais famoso, mais entrevistado, mais polêmico, que tem mais seguidores no Instagram, é quem tem poder dentro da Câmara”, pontua. 
  • Ficha corrida. Por isso, uma forma de medir o grau de influência dos parlamentares é usando indicadores da vida política institucional, como os cargos formais pelos quais essa pessoa passou, se participou da Comissão de Constituição e Justiça, relatorias estratégicas etc. Esses dados, de acordo com Codato, tornam-se subsídios para lobistas, organizações, sindicatos, movimentos sociais etc. “É um conhecimento, que foi financiado pelo Estado, e que nós estamos tornando público para o uso coletivo”, enfatiza  o coordenador do INCT ReDem. 

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