Eleitor faz análises distintas na hora de escolher em quem votar
O processo eleitoral é de extrema importância em países onde a democracia é o regime político vigente. No Brasil, embora os cidadãos tenham voltado a exercer o direito ao voto a partir da Constituição Federal de 1988, a forma como os representantes são escolhidos ainda é uma incógnita.
Em entrevista ao UM BRASIL, a PhD em Ciência Política Daniela Campello diz que o cenário econômico internacional afeta a forma como o eleitor mensura a qualidade dos políticos na América Latina. Ela dá como exemplo as economias do Brasil e de outros países da América do Sul que se caracterizam por serem exportadoras de commodities.
“Os eleitores respondem à economia, mas ela responde a fatores, às vezes, externos que não estão sob controle dos presidentes e, no entanto, são grande parte dos responsáveis pelos presidentes serem premiados ou punidos pelo eleitorado”, afirma.
Outro fator analisado na hora de escolher o candidato nas eleições está relacionado à corrupção. Para a PhD em Ciência Política pela Universidade Notre Dame, nos Estados Unidos, Nara Pavão, apesar de o eleitor enxergar a corrupção como um problema do sistema, ele diferencia os políticos pelo que entende sobre o nível de corrupção em que o candidato está envolvido. Ela explica que a corrupção praticada pelo cidadão no dia a dia o torna tolerante aos desvios realizados pelos políticos.
“Não sei em que ponto diferenciar a corrupção ajuda em nível democrático. Alguns se envolvem em corrupção de larga escala, e outros, em corrupção menor. Em geral, não acho que isso seja algo positivo. Os eleitores deveriam rejeitar qualquer tipo, e a corrupção pequena também cresce”, afirma.
O cientista político e presidente do Conselho de Economia, Sociologia e Política da FecomercioSP, Paulo Delgado, avalia que, embora a sociedade brasileira esteja mais engajada, as eleições no País são decididas pelo eleitorado menos interessado no processo de escolha dos representantes.
“A sociedade organizada escolhe partidos e candidatos, mas esse grupo não chega a 30% do País, e 70% votam encontrando um número na rua como se jogasse na loteria, votam num slogan de televisão e há um número grande de brasileiros que decide votar no dia da eleição”, diz o cientista político.
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