Bloqueio ideológico leva a “surtos” de concessões no Brasil, diz economista
ENTREVISTADOS
MEDIAÇÃO
“As concessões operam por surtos no Brasil […] Quando a gente se aproxima de eleições, há uma certa vergonha em defender as concessões e as atividades são paralisadas”.
A afirmação é de Fabio Giambiagi, mestre em Ciências Econômicas pela UFRJ. Defensor da privatização, Fabio Giambiagi lembra as disputas ideológicas de 10 ou 20 anos atrás e conclui que “o balanço, de um modo geral, é extremamente positivo, mesmo nas áreas onde as pessoas se queixam, e com razão, como na telefonia, em que todo mundo tem críticas em relação à sua operadora específica, mas é bom lembrar o que era a telefonia naqueles tempos”.
O economista aponta “uma espécie de veto ideológico, um bloqueio, quase que mental” em relação ao assunto no primeiro Governo Lula e uma mudança de orientação no segundo mandato.
“A ideia deixou de ser palavrão. Havia a crítica de que, antes, a privatização de estradas, por exemplo, se fazia com pedágios elevados, então, se faz uma privatização com pedágio mínimo. Algumas empresas ganham, mas aquilo não funcionou porque, se há pouco retorno pela estrada, então, aquela estrada vai ser uma porcaria. Quando veio o resultado, as obras acabaram não sendo feitas ou depois passou a ter outros aditivos e definitivamente não funcionou. Aí chega o Governo Dilma. Na primeira metade do primeiro Governo Dilma, ainda há uma certa paralisia, mas finalmente deslancham algumas atividades. Tivemos leilões importantes, especificamente, nas áreas de aeroportos e rodovias. A única crítica que cabe a isso é ter vindo com 10 anos de atraso. Eu moro no Rio de Janeiro. Por que cargas d’água a gente teve que esperar até 2014 para privatizar o Galeão? Aquilo poderia ter sido privatizado em 2003, em 2004”, ressalta.
ENTREVISTADOS
CONTEÚDOS RELACIONADOS
Educação e Cultura
Bombardeio de conteúdos curtos nas redes sociais desacostumou os cérebros às leituras e aos desafios
Flávia Bravin, ‘head’ da Saber Educação, fala sobre a importância do livro na construção do pensamento crítico
ver em detalhes
Sociedade
Setor privado tem papel relevante na aceleração da agenda climática
Para a economista Ana Toni, a COP30 uniu empresas e governos em busca de soluções e ações concretas para frear a crise do clima
ver em detalhes
Economia e Negócios
Estabilidade no funcionalismo protege o Estado e a democracia
Em debate promovido pelo UM BRASIL e pelo Movimento Pessoas à Frente, Marília Ortiz e Sergio Firpo discutem o papel do Estado perante a sociedade
ver em detalhes