Racismo é uma questão economicamente burra
ENTREVISTADOS
MEDIAÇÃO
A falta de um olhar para a população negra por parte das empresas na construção de produtos e serviços pode prejudicar a retomada da economia brasileira neste período marcado pelo covid-19, conforme avalia a consultora especializada no desenvolvimento e aperfeiçoamento de estratégias de diversidade Ana Bavon ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP.
“Temos dificuldade de pensar no racismo como estrutura, porque o debate racial é carregado de culpa. Quando começarmos a pensar em consciência e responsabilização, avançaremos no debate. A questão racial é economicamente burra, não tem outra palavra. Esse racismo precisa acabar sob pena de a nossa economia não ser reconstituída de uma maneira positiva depois deste evento pandêmico. Precisaremos de todo mundo, e estamos excluindo 55% da população”, defende ela.
Na conversa com Juliana Rangel, Ana lembra que a população negra não é vista como grande público consumidor. Além de ignorar o dinheiro que eles injetam na economia, é deixado de lado todo o potencial criativo dessa comunidade e a forma como eles se articulam.
Ana destaca, porém, que o racismo no Brasil voltou a ser discutido com ênfase após a morte do afro-americano George Floyd, nos Estados Unidos, em maio deste ano. A problemática, segundo ela, foi escancarada na série de protestos que começaram após a morte de Floyd denunciar a relação da polícia norte-americana com a população negra daquele país. A comoção impulsionou os movimentos Black Lives Matter, e, no Brasil, o Vidas Negras Importam, com empresas se posicionando ao lado de consumidores e colaboradores.
Apesar da iniciativa em se mostrar a favor da diversidade, a consultora destaca que apenas aparência não é o suficiente. “A empresa pode até pensar em contatar pessoas mais diversas, mas não basta parecer mais diversa. Então, se uma empresa abre um processo seletivo para pessoas negras, ou para contratar mais mulheres e outras diversidades, depois, será preciso pensar em como reter essas diversidades. A cultura da empresa é propícia para que essas diversidades possam se expressar, possam trazer suas ideias e gerar valor? Elas têm a segurança psicológica suficiente para serem quem são? Não adianta atrair a diversidade e, depois, não deixar ela falar. Essas pessoas precisam ser respeitadas na opinião e na visão de mundo delas”, questiona Ana.
Assista na íntegra! Inscreva-se no canal UM BRASIL.

ENTREVISTADOS
CONTEÚDOS RELACIONADOS
Economia e Negócios
Brasil precisa construir pontes, e não escolher lados
Economista Marcos Troyjo fala sobre as oportunidades para o País no jogo geopolítico
ver em detalhes
Política
A democracia não está em crise, mas em transformação
Jurista Vitalino Canas fala sobre os rumos dos sistemas de governo no Brasil e no mundo, além da necessidade de regular as plataformas digitais
ver em detalhes
Economia e Negócios
Brasil precisa de pacto político para elevar patamares de crescimento
O economista Ricardo Sennes e Sandra Rios, ‘senior fellow’ do Cebri, debatem os desafios da abertura comercial em tempos de protecionismo
ver em detalhes