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“O Brasil é um país jovem e de muita oportunidade”, diz Luiza Trajano

DEBATEDORES | Luiza Helena Trajano

“Precisamos assumir [o controle do] o Brasil, para que ele tenha consistência. Caso contrário, vamos viver sempre na alternância entre momentos bons e ruins”, diz a presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano.

Em conversa com Thais Herédia para o canal UM BRASIL, ela fala sobre desafios trazidos pelos entraves econômicos e expectativas de superação da instabilidade política no País. Para a entrevistada, as crises podem ter um lado positivo: a sociedade passa a tomar consciência de suas responsabilidades.

“É uma crise política, econômica e ética, mas não é a primeira crise que enfrento como empresária”, afirma Luiza, sobre o momento atual brasileiro. “A ética é o bem comum”, explica. “Se você não paga imposto, fura a fila, compra algo falsificado, você não é ético. Temos de nos vigiar o dia todo. Estou muito esperançosa com esse resgate da ética, que não acontece só no Brasil.”

Além disso, segundo ela, para negócios como o Magazine Luiza, a crise pode ser também uma questão de oportunidade. “Aproveitamos também o período para abrir lojas em lugares que não conseguiríamos e, por causa da crise, conseguimos. A crise nos exige muito mais trabalho e dedicação”, conclui.

Ela ressalta também que o total de 210 milhões de pessoas residentes no Brasil atualmente, apesar de representar desafios administrativos, significa também um grande mercado consumidor. “É um país jovem e de muita oportunidade”, diz. No Brasil, segundo a empresária, temos dificuldade de assumir o País como nosso. “Precisamos cuidar dos nossos negócios, mas não nos omitirmos como sociedade”, justifica.

“Agora parece que nossa sociedade está tomando consciência de que o Brasil é dela. O que eu espero é que as voltas do emprego e das melhorias econômicas não tirem essa consciência”, afirma Luiza. A entrevistada fala ainda sobre o trabalho de mobilização do grupo Mulheres do Brasil em favor de igualdade e transparência nos setores público e privado.

“Não somos contra os homens, mas somos a favor das mulheres, e temos que fazer acontecer”, afirma. Ela explica que o grupo, que inclui mulheres de diversas profissões e regiões brasileiras, montou comitês para organizar sua ação, entre eles, políticas públicas, empreendedorismo, educação, igualdade racial e violência contra mulher. “Não criamos novas ONGs, mas reunimos e apoiamos aquelas que já existem e, com isso, começamos a conhecer o Brasil.”

Quando o Mulheres do Brasil se depara com uma escola de periferia ou um posto de saúde, Luiza observa que não há falta de dinheiro por parte do Estado, mas ausência de gestão. “Agora que estamos fortalecidas, resolvemos atuar politicamente e fomos contra o ‘distritão’”, exemplifica.

Entre as conquistas da organização, está a aprovação de cotas para mulheres em conselhos de empresas. “Cota é um processo transitório para acertar uma desigualdade. Hoje, temos 7% de mulheres em conselhos de empresas abertas, e se você tirar as donas ou filhas de donas (como eu) dessa conta, o total cai para 3%”, observa a empresária.

“Levaríamos 110 anos para chegar a 15% de participação feminina. Eu não estou me defendendo, eu sou do conselho da minha empresa, mas e as minhas colegas, que não podem ser convidadas por crenças limitantes?”, questiona.

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