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Democracia sofre processo lento de degradação

DEBATEDORES | Scott Mainwaring

Reduzir os direitos das minorias e as liberdades de imprensa e de expressão nas escolas e universidades indica um processo de degradação da democracia. “A democracia brasileira sofre alguns riscos, não de uma quebra, mas de um processo lento de pequenas degradações”, avalia em entrevista ao UM BRASIL o professor da Universidade Harvard, Scott Mainwaring.

Em conversa com Jaime Spitzcovsky, o especialista em políticas brasileira e latino-americana lembra de casos parecidos que ocorreram na Venezuela e na Nicarágua, por exemplo, e afirma existir a possibilidade de o País reverter essa situação.

“Tem momentos que o posicionamento democrático pode aproveitar para bloquear essa degradação, mas, depois de um determinado momento – e o Brasil está longe disso –, chega a ser difícil. A história latino-americana vive nos últimos 20 anos um retrocesso profundo da democracia. É um momento de perigo. Há cinco anos, eu diria que o Brasil passava por uma consolidação democrática depois de 1985 [com o fim do regime militar], mas, hoje, esse processo está em risco”, alerta.

Mainwaring enfatiza que a democracia corre riscos independentemente de a ideologia política ser de esquerda ou direita e aponta a Índia, a Polônia e a Hungria como exemplo de governos de direita em que a democracia é violada.

Para o professor, o populismo é a principal ameaça à democracia na atualidade. “O populismo impõe a ideia de que o líder representa a nação, de modo que quem é contra ele é inimigo do povo. Essa ideologia iliberal não entende que a oposição é legítima, democrática”, explica.

Ele destaca que o populismo prospera em ambientes onde há corrupção e mal desempenho econômico, como ocorreu com a Venezuela, a partir de 1990. A diferença para o Brasil é que aqui ainda há a influência de outros fatores, como o aumento da criminalidade e a divulgação de notícias falsas nas mídias sociais.

O avanço do populismo, para Mainwaring, mostra o enfraquecimento das forças democráticas. “Uma democracia precisa governar bem. O Brasil passou nos últimos anos pelo caso de corrupção mais dramático na história das democracias modernas. A história brasileira supera o a italiana, que implantou a Operação Mãos Limpas”, reitera.

A entrevista é resultado da parceria do canal com a Universidade Harvard.

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