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Brasil ainda não entendeu que a pandemia também é uma crise ambiental

DEBATEDORES | Julia Sekula

“A nossa incapacidade de integrar soluções ambientais em meio à pandemia de covid-19 só reforça a nossa incapacidade de integrar estas soluções de modo geral, não é algo novo. Já tivemos várias oportunidades de realizar esse avanço em casos trágicos recentes da história do País, como nos das barragens em Minas Gerais – que deveriam ter fornecido um momento de reflexão sobre a necessidade de incluirmos metas ambientais de forma mais clara na nossa agenda –, mas não fizemos isso”, afirma a economista e cientista política Julia Sekula, em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP. Ela é coautora do livro Brasil: paraíso restaurável, lançado em setembro de 2020.

“O Brasil não vê essas soluções ambientais como oportunidades em níveis municipal, estadual ou federal. Poucos prefeitos têm uma visão melhor disso, mas não existe um consenso sobre a importância das medidas ambientais”, esclarece a economista.

Julia pontua que, apesar de a pandemia de covid-19 estar trazendo diversos prejuízos para a economia e para a sociedade, esta não é a primeira calamidade que estamos enfrentando, pois mais da metade dos municípios brasileiros, entre 2013 e 2017, declararam Estado de Calamidade Pública de alguma forma, e por razões ambientais. “Muito mais do que qualquer outra coisa, o covid-19 é uma crise ambiental”, ela reforça. “O meio ambiente precisa estar inserido no fundamento de todas as políticas, não há como fugir disso. Para mim, um candidato à eleição que não fala de meio ambiente, não entende qual é o caminho do Brasil”.

Na entrevista à cientista política Monica Sodré, Julia também fala sobre as práticas de ESG [Environmental, Social and Governance], que englobam fatores como governança corporativa e questões ambientais e sociais nas empresas – e que servem de parâmetro aos investidores a respeito das ações sustentáveis de um negócio. Ela avalia que as atuais métricas em relação a isso não são boas.

“ESG é um ‘guarda-chuva’ com muita coisa. Faltam clareza e consenso do que realmente é ESG, faltam métricas objetivas. Não adianta se ter uma linguagem bonita sobre meio ambiente e direitos humanos se não há formas objetivas de se medir isso. Não adianta a empresa falar que mantém uma política contra discriminação racial, mas não contratar pessoas negras. Apesar de ser um movimento das empresas e dos consumidores, não temos ferramentas para saber se as companhias realmente fazem o que estão falando”, afirma a economista.

Julia também examina a dificuldade de se integrar pequenas empresas na agenda em defesa do meio ambiente e de combate à emergência climática. “Durante a pandemia, eu criei uma ONG para ajudar pequenos negócios com assessoria financeira. O que temos visto, desde então, é uma profunda falta de entendimento dos governantes do que é o pequeno empresário, que representa 27% do PIB [Produto Interno Bruto] e que gera dois terços dos empregos. Todas as medidas tomadas para ajudar esses empreendedores nos últimos meses, em termos econômicos, não ajudaram. Se não conhecemos suficientemente a nossa própria economia, como poderemos começar a implementar metas ambientais para estes empresários?”, questiona.

Assista na íntegra! Inscreva-se no   canal UM BRASIL.

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